A maioria
das pessoas não tem uma definição de maneira clara, em um primeiro momento, do
que sejam histórias em quadrinhos ou tem uma ideia distorcida do que elas
sejam.
De maneira simplificada, pode-se definir uma história em quadrinhos como
um conjunto de
imagens sequenciadas que podem estar associadas a palavras, para
narrar histórias, transmitir ideias e, como último recurso, produzir uma
resposta no seu leitor.
Isto posto, entra-se involuntariamente na questão do que pode ou
não ser rotulado como histórias em quadrinhos.
Segundo Paulo
Ramos em “A
leitura dos quadrinhos”, podemos identificar algumas
características nas histórias em quadrinhos. Entre elas:
“- predomina nas histórias em
quadrinhos a sequência ou tipo textual narrativo;
- as histórias podem ter
personagens fixos ou não;
- a narrativa pode ocorrer em
um ou mais quadrinhos, conforme o formato do gênero;
...
...
- a tendência nos quadrinhos é
a de uso de imagens desenhadas, mas ocorrem casos de utilização de fotografias
para compor as histórias”.
Se formos rotular os quadrinhos como um grande aglomerado de
diversos gêneros de expressão que agregam imagens e texto ou palavras, então
devemos fazer uma ressalva seguindo a própria definição do que sejam histórias
em quadrinhos, deixando de lado as charges e os cartuns.
Particularmente, retiro as charges e os cartuns como exemplos de
quadrinhos, pois sigo o raciocínio de Scott McCloud em seu livro “Desvendando os quadrinhos”,
pois ele considera que cartuns e charges podem ser
“classificados como arte
em quadrinhos, porque parte de seu vocabulário visual vem dos quadrinhos...”,
e talvez sejam a base daquilo que consideramos como histórias em quadrinhos.
Pode-se acrescentar que as charges e cartuns sintetizam várias
sequências em uma estrutura mínima de narrativa, ou seja, em um único quadro, o
que deixa de ser uma sequência de imagens.
É claro que esta definição pode vir a ser questionada, visto que
há poucos estudos sobre o que sejam realmente histórias em quadrinhos.
Então, segundo esta visão podem ser classificadas como histórias
em quadrinhos as tiras cômicas, as tiras seriadas, as tiras cômicas seriadas e
as revistas em quadrinhos, propriamente ditas, que podem ser a reunião de
várias tiras seriadas reunidas em uma publicação, para que o leitor tenha uma
ideia da história como um todo, ou uma história que pode ou não ter um fim na
mesma edição, como ocorrem com as revistas de super-heróis publicadas, mangas
e, em um caso particular no Brasil, das histórias da Turma da Mônica Jovem, de
Maurício de Souza, que nem sempre têm histórias fechadas em uma única edição. (continua)
